Mostrando entradas con la etiqueta 1774-1824 – Beata Ana Catarina Emmerich. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta 1774-1824 – Beata Ana Catarina Emmerich. Mostrar todas las entradas

lunes, 12 de diciembre de 2016

Ana Catarina Emmerich - "A comunhão dos profanos"


Beata Ana Catarina Emmerich
(1774-1824)


Beatificada por São João Paulo II a 3 de Outubro de 2004







A comunhão dos profanos


«Tive uma visão em que vi os outros da falsa igreja, num edifício quadrado, sem campanário, negro sujo e com uma cúpula alta. Eles estavam numa grande intimidade com o espírito que ali reinava. Esta igreja está cheia de imundícies, vaidades, necedade e obscuridade. Quase nenhum deles conhecia as trevas em médio das quais trabalhava. Na aparência tudo parece puro, mas não há mais que vazio» (AA[1].II.88).

«Tudo é [nesta «falsa igreja»] profundamente mau; é a comunhão dos profanos. Não sei dizer, até que ponto, tudo aquilo que eles fazem é abominável, pernicioso e vão. [...] Querem ser um só corpo diferente do corpo do Senhor! [...]
[A falsa igreja] está cheia de orgulho e presunção destruindo e conduzindo ao mal com toda a classe de boas aparência. O seu perigo está na sua aparente inocência. [...]
Fazem e querem coisas diferentes: nalguns sítios a sua acção é inofensiva: mas trabalham para corromper um pequeno número de sábios acabando por desembocar todos num centro, numa coisa má pela sua origem, num trabalho e numa acção fora de Jesus Cristo por quem toda a vida é santificada e sem o qual todo o pensamento e acção permanecem no império da morte e do demónio» (AA.II.89).

«Encontrava-me num navio arrombado e estava caída no chão, no único lugar ainda intacto: as pessoas estavam sentadas nas duas bordas do navio. Eu rezava constantemente para que não caíssem nas ondas; no entanto elas maltratavam-me e davam-me pontapés. Esperava que a qualquer momento o navio se afundasse e estava cheia de medo. [...]
Finalmente foram obrigados a conduzir-me para terra onde me esperavam os meus amigos para me levarem para outro lugar.
Continuava a rezar para que aqueles desgraçados desembarcassem também, mas o navio afundou-se e ninguém se salvou. Isso encheu-me de tristeza. No lugar para onde fui havia uma grande abundância de frutos» (AA.III.147).

«Quando olhava para baixo, via nitidamente, através de um véu de cor sombria, os erros, extravios e os inumeráveis pecados dos homens e com que necedade e maldade actuavam contra toda a verdade e toda a razão. Vi cenas de toda a espécie: tornei a ver o navio em perigo que levava estes homens convencidos do seu imenso mérito e admirados por outros, passarem perto de mim sobre um mar perigoso, e eu esperava que a qualquer momento pereceriam. Vi entre eles sacerdotes e sofri profundamente tentando que eles se arrependessem» (AA.III.149).

«Vi tantos traidores! Não suportam que lhes diga: “isto está mal”. Para eles tudo está bem desde que se possam glorificar com o mundo» (AA.III.184).








[1] K. E. Schmoeger, Vie d’anne-Catherine Emerich, 3 vols., Tequi, 1950.





domingo, 11 de septiembre de 2016

Beata Ana Catarina Emmerich - "A falsa igreja"


Beata Ana Catarina Emmerich
(1774-1824)


Beatificada por São João Paulo II a 3 de Outubro de 2004






A falsa Igreja


«12 de Novembro 1820. – Viajava através de uma comarca sombria e fria e cheguei à grande cidade (Roma). De novo vi ali a grande e singular igreja que se estava a construir; não havia nela nada de santo; vi, da mesma maneira que vejo uma obra católica, eclesiástica, onde os anjos, os santos e os cristãos trabalham em comum; mas desta vez o trabalho era feito de forma mais mecânica.
Vi em cima desenhar linhas e traçar figuras, e a seguir vi como na terra um homem tinha levantado um plano, um desenho. Vi a acção dos orgulhosos espíritos planetários e como as suas relações com esta construção se fazia sentir até ás regiões mais distantes. Vi chegar até muito longe o impulso dado para a preparação de tudo o que podia ser necessário para a construção e para a existência desta igreja; ali vi chegarem todo o tipo de pessoas e de coisas, de doutrinas e opiniões. Nisto tudo havia algo de orgulhoso, de presunçoso, de violento, e tudo parecia ter êxito e eu continuava e ver uma serie de cenas. Vi subir e descer os espíritos planetários que enviavam raios sobre as pessoas que estavam a construir o edifício. Tudo era feito segundo a razão humana.
Não vi um único anjo nem um único santo a cooperar nesta obra. Mas vi muito mais longe, ao fundo, o trono de um povo selvagem armado com espadas, e uma figura que ria dizendo: “construí o mais sólidos que queirais, nós a derrubaremos”». (AA[1].III.105)

«(Vi) que se mina e se asfixia tão habilmente a religião que não resta mais do que um pequeno número de sacerdotes que não esteja seduzido. Não sei como isto aconteceu, mas vejo a névoa e as trevas alastrarem-se cada vez mais. No entanto há três igrejas nas que não conseguem penetrar: a de S. Pedro, a de Sta. Maria Maior e a de S. Miguel. Trabalham consecutivamente para as demolir mas não conseguem. Todos trabalham para a demolição, inclusivamente os eclesiásticos. Uma grande devastação está próxima». (AA.III.122)

«Vi muitas abominações com grande detalhe; reconheci a cidade de Roma e vi a Igreja oprimida e a sua decadência no interior e no exterior». (AA.III.159)

«Vi numa pradaria verde muitas pessoas, entre as quais sábios, reunirem-se à parte [...] e apareceu uma nova igreja onde estavam todos reunidos. Esta igreja era redonda com uma cúpula cinzenta e eram tantas as pessoas que aí afluíam que eu não entendia como podiam caber todas. Era como um povo inteiro.
No entanto, esta nova igreja tornava-se cada vez mais sombria e negra (de início era cinzenta) e tudo o que se passava nela era como um vapor negro. Estas trevas espalharam-se para fora e todo o verde secou; várias paróquias das redondezas foram invadidas pela escuridão e secura, e o prado, a uma grande distância, tornou-se como um pântano sombrio.
Vi então vários grupos de pessoas bem intencionadas que corriam para o lado da pradaria onde ainda havia verde e luz.
Não encontro palavras para descrever o efeito terrível, sinistro, mortífero desta igreja. Todo o verde desaparecia, as árvores morriam, os jardins perdiam a sua beleza. Vi, como numa visão, as trevas produzirem o seu efeito a uma grande distância; onde chegavam, estendiam-se como uma corda negra. Não sei o que se passou com todas as pessoas que estavam dentro dessa igreja. Era como se devorasse os homens: tornava-se cada vez mais negra, totalmente semelhante ao carvão da forja, descamando-se de maneira horrível.
Depois disto (da horrível visão da igreja negra) fui guiada por três anjos até um grande lugar verdejante rodeado de muros, como o cemitério que há aqui em frente.
Fui posta ali como que sentada num banco alto. Não sabia se estava viva ou morta, mas vestia uma túnica branca.
O mais alto dos três disse-me: “Louvado seja Deus! Aqui ainda há luz e verde”. Então, entre a igreja negra e eu, caiu do céu como que uma chuva de deslumbrantes pedras brilhantes e preciosas…
Um dos meus companheiros (um dos três anjos) ordenou-me que as recebesse. Depois desapareceram. Não sei se partiram todos; lembro-me que, por causa da grande ansiedade que me causou a igreja negra, não tive coragem de receber as pedras preciosas. Quando o anjo regressou, perguntou-me se as tinha guardado e respondi-lhe que não; então ordenou-me que o fizesse.
Inclinei-me para a frente e encontrei ainda três pedras pequenas talhadas como cristais. Estavam pela seguinte ordem: a primeira era azul, a segunda de um vermelho claro, a terceira de um branco brilhante e transparente. Levei-as aos meus dois outros companheiros, que eram mais pequenos que o primeiro, e, andando sempre de aqui para acolá, eles esfregavam-nas umas contra as outras e fizeram surgir delas os mais belos raios de luz que se estenderam por todo o lado. Ali a donde chegavam, o verde renascia, a luz e a vida se propagavam. Noutro lado vi a igreja tenebrosa que se degradava.
Depois, num ápice, uma grande multidão espalhou-se pelo prado verdejante e cheio de luz, dirigindo-se a uma vila luminosa.
Por outro lado, a igreja negra, permanecia numa noite sombria». (AA.III.156, 157)

«Eles querem ser um só corpo em algo diferente do Senhor. Formou-se um corpo, uma comunidade fora do corpo do Jesus que é a Igreja: uma falsa igreja sem Redentor, onde o mistério consiste em não ter mistério.
É quando a ciência se separou da fé quando nasce esta igreja sem Salvador: as pretendidas obras boas sem a fé, a comunhão dos incrédulos que tem aparência de virtude; numa palavra a anti-igreja cujo centro está ocupado pela malícia, o erro, a mentira, a hipocrisia, a lassitude, os artifícios de todos os demónios da época». (AA.II.89)







[1] K. E. Schmoeger, Vie d’anne-Catherine Emerich, 3 vols., Tequi, 1950.





domingo, 8 de mayo de 2016

"A igreja dos apóstatas" - Beata Ana Catarina Emmerick


Beata Ana Catarina Emmerich
(1774-1824)


Beatificada por São João Paulo II a 3 de Outubro de 2004







  
A igreja dos apóstatas

«Vi crescer grandemente a igreja dos apóstatas. Vi as trevas que dela saiam espalhando-se ao redor e vi muitas pessoas abandonar a Igreja legítima e dirigir-se à outra dizendo: “Aí tudo é mais bonito, mais natural, mais ordenado”». (AA[1].II.414)

«Vi coisas deploráveis: jogava-se, bebia-se, falava-se de coisas vãs, seduziam-se as mulheres na igreja. Numa palavra, cometiam-se ali todo o tipo de abominações». (AA.III.120)

«Os sacerdotes deixavam que se fizesse qualquer coisa e diziam a Missa com muita irreverência. Vi poucos que ainda tivessem piedade e julgassem as coisas de modo salutar. Tudo isso me afligiu muito. Então, o meu Esposo celeste pegou no meu corpo e dispondo-o, como ele mesmo tinha sido atado à coluna, disse-me: “Assim é como a Igreja ainda será encadeada antes de que possa revelar-se.”». (AA.III.120)

«Ele mostrou-me também em inumeráveis quadros a deplorável conducta dos cristãos e dos eclesiásticos, nas esferas cada vez mais vastas, estendendo-se pelo mundo inteiro, até estar o meu país incluído. Era um quadro imenso e indescritivelmente triste. De este modo foi-me mostrado que já quase não há cristãos no antigo significado da palavra». (AA.III.125)

«Vi no futuro a religião muito degradada e conservando-se unicamente em alguns lugares, em algumas casas e em algumas famílias que Deus protegeu também dos desastres da guerra». (AA.III.557)

«(12 de Setembro de 1820). Vi construir uma igreja estranha e ao contrario de todas as regras. O coro estava dividido em três partes, das quais cada uma era uns graus mais alta que a outra. Debaixo havia uma adega sombria, cheia de fumo. [...] Na primeira parte vi arrastar um trono [...]. Na segunda um alguidar cheio de água. A água sozinha parecia ter algum significado. [...] Na mais elevada uma mesa.
Não vi nenhum anjo assistir a construção: mas diversos espíritos planetários (que se encarregam de enganar aos homens) violentíssimos arrastavam todo o tipo de objectos para a cave, donde depois eram levados por outros personagens [vestidos] em pequenos mantos eclesiais. Nada na igreja vinha do alto: tudo vinha da terra [...] e da região tenebrosa [...] tudo nessa igreja era escuro, contra-sentido y sem vida: não havia mais que burla e ruína.
Vi perto outra igreja donde reinava a claridade e que estava provista de toda espécie de graças do alto. Vi os anjos subir e descer, vi vida e crescimento [mas também] tibieza e dissipação.
Vi a Igreja tradicional que (por muito imperfeita y obscurecida que esteja, sem saber a luz que lhe espera) era como uma árvore cheia de seiva em comparação com a outra que parecia um baú cheio de objectos inanimados; era como um pássaro que planeia, como um dragão de papel, com uma cauda carregada de fitas e de letreiros que se arrasta num restolho em vez de voar. Vi que muitos dos instrumentos que estavam na nova igreja, como por exemplo flechas e dardos, não estavam reunidos mais que para ser empregados contra a igreja viva». (AA.III.104)

«Eles amassavam o pão na bodega debaixo; mas de ali não resultava nada e trabalhava-se em vão.
Vi também os homens com pequenos mantos levar madeira diante da balaustrada, donde se encontrava a sede do predicador; acendiam fogo, sopravam com todas as suas forças e produzia-se uma dor extrema, mas tudo isto não produzia mais que fumo e um vapor abomináveis.
Então com uma vara fizeram um furo no alto, mas o fumo não queria subir e tudo permanecia submergido numa escuridão asfixiante.
Tudo permanecia na terra e ia para a terra, e tudo estava morto, artificial e feito pela mão do homem: é propriamente uma igreja de fabrico humano, seguindo a última moda, como a nova igreja heterodoxa de Roma, que é da mesma espécie». (AA.III.105)

«Encontrava-me numa grande sala. Dos dois lados estavam, à frente das escrivaninhas, jovens em hábito longo que pareciam ser seminaristas. No meio um homem grande ia e vinha. De repente, no lugar dos homens, não vi mais que cavalos dos dois lados, e no meio um grande boi ruminado que ia e vinha, enquanto que detrás dele os cavalos mostravam os dentes e faziam todo o tipo de gestos com a cara. Esperava que o boi lhes mostrasse os cornos e os obrigasse a estar sossegados, mas a única coisa que fez foi, chegando a um lado da sala, golpear a parede com os seus cornos. Já havia um buraco, e eu dizia-me que tudo ia a derrubar-se sobre eles». (AA.III.176)









[1] K. E. Schmoeger, Vie d’anne-Catherine Emerich, 3 vols., Tequi, 1950.





domingo, 13 de marzo de 2016

Beata Ana Catarina Emmerich - "O obscurecimento da Igreja"

Beata Ana Catarina Emmerich
(1774-1824)


Beatificada por São João Paulo II a 3 de Outubro de 2004








O obscurecimento da Igreja

«Vi a relação entre dois Papas. Vi quão funestas seriam as consequências desta falsificação da Igreja. Vi-a crescer, vi os heréticos de todas as condições vir à cidade (Roma). Vi aumentar a tibieza do clero local, vi fazer-se uma grande escuridão. Então a visão cresceu por todos lados. Vi por todo o mundo comunidades católicas oprimidas, vexadas, presas e privadas de liberdade. Vi muitas igrejas fechadas. Vi grandes misérias produzir-se por todas as partes. Vi guerras e sangue vertida. Vi o povo selvagem e ignorante intervir com violência, mas isso não durou muito tempo. Vi de novo a visão na qual a Igreja de São Pedro era minada, seguindo um plano feito pela seita secreta, ao mesmo tempo que era deteriorada pelas tempestades. Mas vi também chegar ajuda quando o sofrimento alcançou o seu colmo. Vi de novo a Santíssima Virgem estender o seu manto sobre a Igreja. Vi um Papa que era gentil, mas ao mesmo tempo muito firme... Vi uma grande renovação, e a Igreja ascendeu muito alto». (AA.III.103)

«Vi a Igreja terrestre, é dizer, a sociedade dos fieis sobre a terra, o exército de Cristo no seu estado de passo sobre a terra, completamente obscurecida e desolada». (AA[1].II.352)

«Vós, sacerdotes, que não vos moveis! Estais dormidos e o redil arde por todos os lados! Não fazeis nada! Como chorareis por isso um dia! Si tivésseis rezado só um Pater! Vejo tantos traidores! Não suportam que se diga: “Isto está mal”. Tudo está bem aos seus olhos com tal de que possam glorificar-se com o mundo!» (AA.III.184)

«Vi as carências e a decadência do sacerdócio, assim como as suas causas. Vi os castigos que se preparam». (AA.II.334)

«Os servidores da Igreja são tão lassos! Já não fazem uso da força que possuem no sacerdócio». (AA.II.245)

«Se algum dia as almas reclamassem o que o clero lhes deve ao ocasionar-lhes tantas perdas pela sua falta de cuidado e indiferença, seria algo terrível!». (AA.II.342)

«Eles terão que dar conta de todo o amor, todas as consolações, todas as exortações, todas as instruções referentes aos deveres da religião, que eles não nos dão; de todas as bênçãos que não distribuem —apesar de que a força da mão de Jesus esteja sobre ele—, por tudo o que não fazem à semelhança de Jesus». (AA.II.358)

«... pelas carícias feitas ao espírito da época por parte dos servidores da Igreja». (AA.II.377)

«Vi relíquias deixadas ao abandono e outras coisas do mesmo género». (AA.II.347)

«... para uma infinidade de pessoas que tinham boa vontade, o acesso às fontes da graça do Coração de Jesus encontrava-se impedido e fechado pela supressão dos exercícios de devoção, pelo feche e a profanação das Igrejas». (AA.III.167)

«Tive uma visão concernente às faltas de incontáveis pastores e à omissão de todos os seus deveres para com o rebanho». (AA.II.347)

«Vi muitos bispos bons e piedosos, mas estavam mudos e débeis, e o mau partido muitas vezes empregava a força». (AA.II.414)

«Tudo isto me fez conhecer que a recitação da genealogia de Nosso Senhor diante do Santíssimo Sacramento, na festa do Corpus Christi, leva consigo um grande e profundo mistério. Conheci, por este meio, que, tal como entre os antepassados de Jesus Cristo, segundo a carne, muitos não foram santostendo sido inclusivamente pecadores—; não deixaram de ser, no entanto, degraus da escada de Jacob pelos quais Deus desceu até à humanidade. Do mesmo modo, também os bispos indignos permanecem capazes de consagrar o Santíssimo Sacramento e de conferir o sacerdócio com todos os poderes que lhe estão associados». (CC[2] 175)

«Vi numa cidade uma reunião de eclesiásticos, de laicos e de mulheres, os quais estavam sentados juntos, a comer e a divertir-se com coisas frívolas, e por cima deles uma nuvem escura que desembocava numa planície submergida nas trevas. No meio desta névoa vi a Satanás sentado numa forma horrível, e à volta dele estavam tantos acompanhantes como pessoas na reunião que tinha lugar em baixo. Todos estes maus espíritos estavam continuamente em movimento e ocupados em empurrar esta reunião de pessoas para o mal. Eles falam-lhes ao ouvido e actuavam sobre eles de todas as maneiras possíveis. Estas pessoas estavam num estado de excitação sensual muito perigoso e ocupados em conversas ociosas e provocantes. Os eclesiásticos eram desses que têm como principio: “É preciso viver e deixar viver. Na nossa época não se deve estar de parte nem ser um misantropo: devemos alegrar-nos com os que se alegram.”» (AA.II.488)

«Ele [Satanás] falava do seu direito. Como essa linguagem me surpreendia muito, foi-me explicado que ele realmente adquiria um direito positivo quando uma pessoa baptizada, que tinha recebido por Jesus Cristo o poder de vencer-lhe, pelo contrario, se entregava a ele pelo pecado livre o voluntario». (AA.II.489)

«Vejo uma quantidade de eclesiásticos castigados por excomunhão, que não parecem inquietar-se, nem sequer sabê-lo. E, não obstante, são excomungados quando tomam parte nessas empresas, quando entram em associações e se aderem a opiniões sobre as quais pesa o anátema. Vejo estes homens rodeados de uma nuvem como se fosse um muro de separação. Por isto se vê quanto Deus tem em conta os decretos, as ordens e as defesas do Chefe da Igreja e os mantêm em vigor inclusivamente quando os homens não se importam com aquilo, o renegam ou se riem». (AA.III.148).








[1] K. E. Schmoeger, Vie d’anne-Catherine Emmerich, 3 vols., Tequi, 1950.
[2] Vie de la Sainte-Vierge, Tequi Editor





lunes, 22 de febrero de 2016

Beata Ana Catarina Emmerich - "A Demolição da Igreja"

Beata Ana Catarina Emmerich
(1774-1824)


Beatificada por São João Paulo II, a 3 de Outubro de 2004


 
Ana Catarina Emmerich, no leito da dor, sofrendo a Paixão de Cristo




A Demolição da Igreja


«Vi pessoas da seita secreta minar sem descanso a grande Igreja». (AA[1].III.113)

«Próximo deles vi uma besta horrível que tinha surgido do mar. Tinha uma cauda como a de um peixe, garras como as de um leão, e varias cabeças que rodeavam como uma corona a cabeça mais grande. A sua boca era grande e vermelha. Estava manchada como um tigre e mostrava-se muito familiar com os demolidores. Deitava-se frequentemente com eles durante o seu trabalho: eles também iam varias vezes a encontrá-la na caverna onde se escondia frequentemente».

«Durante esse tempo, vi por um lado e por outro, no mundo inteiro, muitas pessoas boas e piedosas, sobretudo eclesiásticos, vexados, prisioneiros e oprimidos, e tive o sentimento de que eles chegariam a ser mártires um dia». (AA.III.113)

«Como a Igreja estava em grande parte demolida, não ficando em pé mais que o coro do altar, vi a estes demolidores penetrar na Igreja com a besta».

«Vi a Igreja de São Pedro e vi como uma enorme quantidade de homens trabalhava para invertê-la, mas vi aí também outros que faziam reparações. Cadeias de trabalho ocupadas neste duplo trabalho estendiam-se por todo o mundo e fiquei assombrada com a coordenação com a qual tudo se fazia. Os demolidores extraiam grandes fragmentos; eram particularmente sectários em grande numero e com eles os apóstatas. Estas pessoas que faziam o trabalho de destruição pareciam seguir certas prescrições e uma certa regra: levavam aventais brancos rodeados de uma cinta azul e com bolsos, e tinham pás de pedreiro na cintura. Eles tinham, além do mais, vestidos de todo o tipo: estavam entre eles homens distinguidos, altos e imponentes, com uniformes e cruzes, os quais, não obstante, não trabalhavam directamente na tarefa, mas marcavam nos muros, com a pá, os lugares que eram precisos demolir. Vi com horror que havia entre eles sacerdotes católicos». (AA.II.202)

«Toda a parte anterior da Igreja já estava destruída: só estava em pé o santuário com o Santíssimo Sacramento». (AA.II.203)

«Vi a Igreja de São Pedro: estava demolida, à excepção do coro e do altar maior». (AA.III.118)

«Tive de novo a visão da seita secreta que por todas as partes minava a Igreja de São Pedro. Trabalhavam com instrumentos de toda a espécie e corriam por aqui e por ali, levando as pedras que tinham arrancado. Foram obrigados a deixar o altar, porque não puderam tirá-lo. Vi profanar e retirar uma imagem de Maria.». (AA.III.556)

«Eu lamentava-me ao Papa e perguntava-lhe como é que ele podia tolerar que houvesse tantos sacerdotes entre os demolidores. [...] Nesta ocasião vi porque é que a Igreja foi fundada em Roma; é porque aí está o centro do mundo e porque todos os povos se vinculam com ela por diferentes razões. Vi também que Roma permanecerá em pé como uma ilha, como uma rocha no meio do mar, quanto tudo ao redor dela cairá em ruínas».

«Quando vi os demolidores fiquei espantada pela sua grande habilidade. Tinham todo o tipo de máquinas: tudo se fazia segundo um plano: nada era casual. Não faziam ruído; prestavam atenção a tudo; recorriam a todo o tipo de artimanhas, e as pedras pareciam desaparecer frequentemente das suas mãos. Alguns de entre eles construíam: destruíam o que era santo e grande, e o que edificavam não era mais que vazio, oco, supérfluo. Levavam as pedras do altar e faziam com elas uma escadaria à entrada». (AA.III.556)









[1] K. E. Schmoeger, Vie d’anne-Catherine Emerich, 3 vols., Tequi, 1950.